Standard Vanguard

Outro dia estive na Expoclassic 2013 e lá vi um Standard Vanguard que me trouxe boas recordações. Lembrei imediatamente do Dr. Luiz Machado ao qual presto aqui minha homenagem. O Dr. Luiz era um grande amigo de meu pai e morávamos no mesmo edifício. Eu estudava no Colégio Anchieta que na época ficava na Rua Duque de Caxias bem perto da Catedral Metropolitana e o Dr. Luiz trabalhava na Rua da Praia, perto da Igreja das Dores. Como nossos horários coincidiam o Dr. Luiz fazia questão de dar-me carona todos os dias e lá ia eu de Vanguard para o colégio.

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 Como já referi aqui em outro artigo, naquele tempo comprar um carro era muito difícil e caro, então as pessoas usavam seus carros por muitos anos e o Vanguard do Dr. Luiz já estava bem velhinho. Não lembro bem qual era o ano de fabricação, mas nós estávamos lá por 1956, antes, portanto, das facilidades geradas pela indústria automobilística nacional.

O trajeto de casa ao colégio, sempre feito em cima da hora, era também feito sob suspense. Conseguiríamos chegar? O carro nos levaria até destino final sem escalas técnicas?

 As condições eram precárias, o diferencial roncava, a direção tinha quase uma volta de folga, as portas não fechavam bem, em dias de chuva entrava água por diversos lugares, o estofamento tinha furos, em fim era muito precário.

A esposa do Dr. Luiz, a D. Maria, era uma mulher elegantíssima, até fazia parte daquelas listas das dez mais tão em voga naqueles anos. O casal não tinha filhos e D. Maria tinha um espírito jovem e adorava dirigir, mas já não dirigia o Vanguard, não havia qualquer possibilidade de prazer nisto. Um dia ele me emprestou o carro. Pois nem eu consegui gostar, dei uma voltinha e voltei quieto para casa.

Um dia Dr. Luiz mandou reformar o carro. Isso mesmo, naquele tempo se reformava carro. Era como uma restauração de um antigo hoje em dia, o carro foi totalmente desmontado e refeito, ficou três ou quatro meses na oficina. Quando ficou pronto eu fui a primeira pessoa para quem o Dr. Luiz foi mostrar a novidade. O Vanguard tinha ficado uma beleza, novo em folha. Motor, câmbio, suspensão, carroceria, cromados, estofamento, painel, tudo perfeito e original, foi a melhor reforma de carro que eu jamais tinha visto.

 Dr. Luiz era só sorrisos e levou-me para dar uma volta, queria mostrar quão bom tinha ficado, afinal ele sabia quão bem eu conhecia as mazelas daquele carrinho que, realmente, tinha ficado muito bom. Ele fazia as marchas para mostrar que elas agora engatavam com facilidade, mostrava que a folga da direção tinha desaparecido, que o carro todo estava silencioso, etc… Mas havia um grilinho irritante vindo da região da roda traseira direita. Era praticamente o único barulho que o carro fazia, mas incomodava. Aí ele, mais feliz ainda disse:

– Até aquele grilinho, que o carro tinha quando era novo, voltou!!!

Não esqueça de visitar meu novo site:

http://www.torellycruzcarros.com

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3 respostas para Standard Vanguard

  1. José Campello disse:

    Eheh… me lembro bem da figura simpática e bonachona do Dr. Luiz e da sua sofisticada e vistosa esposa Maria, mas do carro, sinceramente, muito pouco. Mesmo velhinho devia ser “hors concours” sem concorrência com aquele, não era um Mercury 49 ou estou confundindo com outro de um professor, que decorava a quadra em 1001 improvisações, as vezes uma porta amanhecia amarrada, outra um para-lama batido ou um vidro rachado. Aquele herói merecia uma história, um destaque, um conjunto memorável e, o mais interessante, parecia que se davam bem dono e máquina, num eterno casamento…

    • Paulo disse:

      É verdade, mas o Vanguard era bem melhor do que aquele Mercury que, como bem dizes, era “hors concors”. O mais interessante é que o proprietário daquele Mercury, mais tarde, comprou um Simca Chambord novo e em pouco tempo, menos de dois anos, o Sinca já estava quase tão destruído quanto o Mercury. Acho que ele gostava assim, he, he, he…
      Da próxima vez deixa um coimentário no novo site “torellycruzcarros.com”

  2. Silveira disse:

    Muito bom, Paulo. Gosto muito destas histórias que nos fazem recordar boas passagens da infância. Grande abraço.

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