Nova Lei Seca

                                

                                 Foi vapt-vupt e a nova lei seca entrou em vigor, muito mais rigorosa que a anterior. Agora sim, tudo será resolvido. Com essa lei duvido que alguém ouse sair por aí dirigindo depois de ingerir qualquer bebida alcoólica, ninguém é louco.
                                 A realidade, porém, teima em seguir seu rumo e ignorar os desejos de nossos legisladores.

                                  Zero Hora de 24 de dezembro de 2012:
              
            “ As primeiras 48 horas da Operação Viagem de Natal – e nas quais já estão valendo as novas regras da Lei Seca-, 84 motoristas foram flagrados sob efeito de álcool no Estado.
                   
            Com dosagens acima de 0,33 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões, 39 deles foram para a delegacia após a confirmação da embriaguez pelo bafômetro.
                   
            Apesar do recrudescimento da lei, os números mostram que, até o final do feriadão, a redução de acidentes pode não ocorrer. A lei que entrou em vigor às vésperas do Natal, prometia apertar o cerco contra a embriaguez ao volante. A expectativa era de que uma investida maior no bolso do condutor e a ampliação dos meios para comprovar a infração tirassem de circulação quem dirigisse sob o efeito do álcool, resultando na redução do número de acidentes em ruas e rodovias.
                   
           Porém, de sexta feira até sábado à meia noite, o número de acidentes já somava 589, com 10 mortes e 283 feridos. Além disso, já se contabiza 36.305 veículos fiscalizados, 4.197 infrações registradas, 482 veículos recolhidos e 115 documentos de habilitação retidos. Segundo o presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Alessandro Barcellos, os números impressionam.
                  
           -São números que impactam, ainda temos muito feriado pela frente. Felizmente, o tempo está bom, o que facilita o deslocamento. Mas é importante ficar atento, porque há previsão de mudança no clima- alerta Barcellos.”

                               Como vemos, parece que as mudanças na lei não vão, mais uma vez, resolver o problema principal da insegurança do nosso trânsito.
                                O problema do trânsito brasileiro não será resolvido com leis. Leis nós já temos, boas até e muitas, acho mesmo que em demasia, poderíamos reduzi-las, tanto em quantidade quanto em rigor. O que nos falta são condições objetivas de segurança:
                                 a)     Educação.
                                 b)    Fiscalização.
                                c)     Vias públicas que ofereçam boas e adequadas condições para o tráfego levando em conta a quantidade de veículos e pedestres em circulação.
                                A fiscalização é importantíssima. Não apenas na questão da lei seca, mas em relação a tudo. Não adianta aumentar a multa para R$ 1.915,40. Dói no bolso? Claro que dói, mas se o infrator acredita que a probabilidade de ser pego em flagrante é mínima, ele arrisca. Seria muito mais eficaz uma multa de cem reais com a quase certeza de ser flagrado do que esta super-multa da nova lei com a confiança quase absoluta da impunidade. Ainda mais que os indivíduos quando embriagados, em geral, são muito mais audaciosos e inconsequentes do que quando sãos.
                                 Vejam bem: o que nós estamos querendo e precisando?
                                Aumentar a segurança no trânsito. É isso que nós precisamos, apenas e tão somente isso.
                                 O que têm sido feito de objetivo nesse sentido?
                                 Novas leis e regulamentos.
                                 Qual tem sido o resultado?
                               Nulo ou , pior que isso, a insegurança aumenta paulatinamente.
                                O que se faz, então?
                                Enrijecem-se as leis e os regulamentos.
                               Qual o resultado?
                              Nulo. Como dizia Einstein, não há como esperar outros resultados se continuamos a fazer as mesmas coisas.
                               Agora eu pergunto: Não está na hora de mudar? Ainda não deu para perceber que a estratégia a ser adotada não é esta? O que estão esperando, que os leitos de nossas ruas fiquem cobertos de “borboletas brancas”? Até ia ficar bonito não fosse o significado do símbolo*.
                               Esta é a minha opinião. Menos regulamento e mais ação.

 

  • Em Porto Alegra a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga pinta uma borboleta branca no leito da rua nos locais onde tenha ocorrido uma morte no trânsito.
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Uma resposta para Nova Lei Seca

  1. Arnaldo P. Ribeiro disse:

    Meu caro Paulo Cruz,
    Teu blog está excelente e este post, em especial, está alinhado com minha opinião sobre o assunto. O problema maior é que as soluções que costumamos enumerar formam a nossa grande utopia desde os tempos de colônia: educação sem investimento estatal, fiscalização sem propina e estradas decentes sem concessionárias privadas. Para ficar só com a educação (que seria a solução maior e a redenção deste nosso Brasil), caso já a tivéssemos, creio que inexistente seria a maior parte de nossas mazelas.
    Grande abraço e parabéns pelo blog,
    do teu colega de 1964
    Arnaldo

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